Como montar um PEI passo a passo: guia com exemplos de metas

Por Aline Coelho Xavier Previdelli

Educadora e pesquisadora independente – Blog IA Inclusiva na Prática

Professora da sala regular, professora do AEE e uma mãe planejam juntas o PEI de um estudante, acompanhadas por Nico, Sofia e Luna, da Turminha Inclusiva.

Sexta-feira, fim da tarde. A coordenação avisou que o PEI do Davi precisa estar pronto na semana que vem. Você abre um documento em branco, escreve “Objetivo: desenvolver a coordenação motora fina” e para. Desenvolver quanto? Em que atividade da turma? Como você vai saber, daqui a dois meses, se funcionou? E por que você está escrevendo isso sozinha?

Essa cena não é exceção. O Censo Escolar 2025 registrou 2,5 milhões de matrículas na educação especial, e mais de 93% desses estudantes de 4 a 17 anos estão em classes comuns. Só que o AEE chega a cerca de metade deles. E, em 2024, apenas 6,4% dos professores regentes tinham formação continuada em educação especial, segundo o Instituto Rodrigo Mendes. Na prática, muito PEI está sendo escrito por quem está na sala regular, com pouco apoio e nenhum modelo.

Este guia responde às perguntas que mais recebo sobre o assunto:

  • Por onde começo?
  • Como escrevo uma meta que dá para acompanhar de verdade?
  • Quem elabora o PEI: só o AEE?
  • De quanto em quanto tempo preciso revisar?
  • O que mudou com o Decreto 12.686/2025?

Você vai sair daqui com seis etapas, dois exemplos completos (um do Fundamental I e um do Fundamental II) e um formato de meta para usar já na próxima reunião de planejamento.

O que é o PEI (e o que ele não é)

O PEI (Plano Educacional Individualizado) é o documento que organiza como um estudante vai acessar o currículo da turma: o que muda na forma de ensinar, nas atividades e na avaliação, quem faz o quê e como a equipe vai saber se está funcionando. A Portaria MEC nº 421/2026 o define como o documento que contempla o plano de acessibilização curricular.

Pense no PEI como a ponte entre o que a escola sabe sobre o estudante e o que acontece na aula de terça-feira.

O PEI não é:

  • um laudo ou relatório clínico: quem define o PEI é a escola, com base pedagógica;
  • um currículo paralelo, mais “fácil”, só para aquele estudante;
  • um documento exclusivo do AEE;
  • um arquivo para ficar na gaveta até a próxima reunião com a família.

Quem elabora o PEI

A resposta curta: a escola, em equipe, com a família e o estudante. O PEI não é tarefa de uma pessoa só, e a legislação deixa isso claro ao garantir a participação do estudante e da família ao longo de todo o estudo de caso e da implementação do plano (Decreto nº 12.686/2025, art. 11, § 3º).

QuemO que traz para o PEI
Professor(a) da sala regularO currículo, a rotina da turma e o que acontece nas aulas. É quem aplica a maior parte das medidas.
Professor(a) do AEECondução do estudo de caso, recursos de acessibilidade, tecnologia assistiva e CAA, articulação com os demais professores.
Coordenação e gestãoTempo para planejar junto, registro no projeto político-pedagógico, circulação do PEI entre os professores.
FamíliaO histórico, o que já foi tentado, como o estudante é fora da escola.
EstudanteO que ajuda, o que atrapalha, o que quer aprender. Do jeito dele ou dela: fala, CAA, desenho, escolha entre opções.
Profissional de apoio escolarObservações do dia a dia. Atua em consonância com o PEI, mas não assume funções docentes (Portaria 421/2026, art. 13).
Saúde, assistência social, conselho tutelarDiálogo quando necessário (Decreto 12.686/2025, art. 11, § 4º). Informam; a decisão pedagógica é da escola.

E se a sua escola não tem professor(a) do AEE? O PEI continua sendo responsabilidade da escola e da rede, não de quem “sobrou”. Leve o caso à coordenação, registre a necessidade e peça apoio à secretaria. Algumas redes já publicaram normas locais detalhando quem participa e quem assina o PEI; vale conferir a da sua.

No Fundamental II, atenção redobrada: o estudante tem oito, dez professores. Um PEI que só a professora de Português leu não é um PEI da escola. Combine com a coordenação como ele chega a todas as áreas.

Passo a passo: como montar um PEI em 6 etapas

As quatro primeiras etapas seguem as fases do estudo de caso previstas no Decreto 12.686/2025 (art. 11, § 1º). As duas últimas transformam o que você descobriu em plano. Para ficar concreto, vamos acompanhar dois estudantes (casos ilustrativos):

Davi, 7 anos, 2º ano (Fundamental I). Autista, se comunica com gestos e uma prancha de CAA com cerca de 20 símbolos. Apaixonado por trens, monta sequências longas com peças. Sabe mais do que as atividades orais e escritas deixam ver.

Júlia, 13 anos, 8º ano (Fundamental II). Ainda sem laudo: a família está investigando autismo. Lê muito sobre astronomia e vai bem em provas objetivas, mas deixa questões abertas em branco e não entrega trabalhos em grupo. A mãe conta que ela chega em casa exausta, como se tivesse “segurado” o dia inteiro.

A Júlia é um lembrete importante: meninas autistas costumam ser identificadas mais tarde (Loomes; Hull; Mandy, 2017), muitas vezes porque aprendem a camuflar as dificuldades. O PEI não espera o laudo. Ele nasce do estudo de caso.

1. Identifique as demandas e as barreiras

Reúna informações de várias fontes: conversa com a família, escuta do estudante (pelos meios de comunicação dele), registros de anos anteriores e observação em pelo menos três momentos diferentes (explicação, atividade individual e transição ou recreio). Laudo e relatórios de saúde, se existirem, entram como informação complementar.

Registre cada barreira como uma situação, não como uma característica do estudante. Um formato que funciona: “Quando [situação], o estudante [o que acontece].”

  • Davi: “Quando a atividade pede resposta oral para a turma, Davi não participa, embora aponte a resposta certa na prancha quando está sozinho com a professora.”
  • Júlia: “Quando o enunciado é aberto (‘comente’, ‘discuta’), Júlia deixa em branco; quando a pergunta tem critérios explícitos, responde com profundidade.”

2. Analise o contexto da escola

Agora a pergunta muda de “o que o estudante tem?” para “o que, na escola, está produzindo essa barreira?”. Olhe para materiais, formas de comunicação, tempo, ruído, organização dos grupos e formato das avaliações.

  • Davi: turma de 28, correção coletiva sempre oral; a prancha de CAA fica guardada na mochila; o sinal do recreio é alto e sem aviso.
  • Júlia: trabalhos em grupo sem papéis definidos; critérios de avaliação só falados, nunca escritos; trocas de sala e de atividade sem aviso prévio.

3. Mapeie potencialidades e apoios necessários

Liste o que o estudante faz bem e o que o mobiliza: é daí que vêm as âncoras da adaptação. Depois, defina que tipo de apoio ele precisa, e em quais momentos.

  • Davi: ótimo em sequências e padrões, interesse intenso por trens, aponta com precisão. Precisa de CAA disponível em todas as aulas e de antecipação visual das transições.
  • Júlia: leitura avançada, memória para dados, escrita organizada quando tem modelo. Precisa de critérios por escrito, papel definido nos grupos e aviso de mudanças na rotina.

4. Defina estratégias e recursos de acessibilidade

Aqui entra o Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA): variar as formas de apresentar o conteúdo, de o estudante se engajar e de mostrar o que aprendeu (CAST, 2024). A regra de ouro: manter o objetivo da turma e mudar o caminho de acesso e de resposta.

  • Davi: prancha de CAA fixa na carteira, com o vocabulário da aula atualizado pelo AEE toda semana; rotina visual no quadro; resposta por apontar ou selecionar cartões; aviso visual cinco minutos antes do sinal.
  • Júlia: rubrica escrita entregue antes da atividade; papel fixo e descrito no trabalho em grupo; possibilidade de responder com esquema legendado; aviso das mudanças no início da aula.

5. Escreva metas mensuráveis: objetivo + estratégia + critério + prazo

É nesta etapa que a maioria dos PEIs trava. Uma meta útil tem quatro campos:

  • Objetivo: o que o estudante vai aprender, ancorado no currículo da turma (de preferência, numa habilidade da BNCC).
  • Estratégia: o que a equipe vai fazer de diferente para que isso aconteça.
  • Critério: o que você vai observar para saber que a meta foi alcançada. Precisa ser visível e contável.
  • Prazo: até quando, e quando haverá uma checagem intermediária.

Veja a diferença na prática:

Meta genéricaO que faltaVersão mensurável
Desenvolver coordenação motora finaNão diz em que atividade, quanto, nem até quandoAté o fim do bimestre, recortar figuras de contorno reto para a linha do tempo da turma, seguindo a linha em 4 de 5 tentativas, com tesoura adaptada de mola
Ampliar vocabulário funcionalNão diz quais palavras, em que situação, nem como medirAté o fim do bimestre, usar 10 palavras do tema “animais” (fala ou prancha de CAA) para responder a perguntas da aula, em 3 semanas seguidas de registro
Melhorar a organização das tarefas“Melhorar” não é observávelEm 6 semanas, entregar 4 de 5 tarefas usando o checklist visual de 3 passos colado na agenda

Agora, as metas completas dos nossos dois estudantes.

Meta do Davi (2º ano, Matemática)

CampoConteúdo
ObjetivoComparar e ordenar números naturais até 100, como a turma neste bimestre (BNCC EF02MA01)
EstratégiaCartões em forma de vagões numerados para ordenar; símbolos “maior”, “menor” e “igual” na prancha de CAA; mesma atividade da turma, com resposta por manipulação ou apontamento
CritérioOrdenar 5 vagões do menor para o maior e indicar o maior entre dois números, acertando 4 de 5 tentativas, em 3 registros semanais seguidos
PrazoFim do 1º bimestre, com checagem na 5ª semana
Quem acompanhaProfessora regente registra às sextas; AEE atualiza a prancha às segundas; família recebe foto da atividade a cada 15 dias

Meta da Júlia (8º ano, Ciências)

CampoConteúdo
ObjetivoJustificar a ocorrência das fases da Lua e dos eclipses a partir das posições de Sol, Terra e Lua, como a turma (BNCC EF08CI12)
EstratégiaQuestões discursivas com critérios explícitos (“explique em 3 partes: posição dos astros, o que vemos da Terra, por quê”); rubrica entregue antes; papel fixo de “responsável pelo modelo” no grupo, descrito por escrito; opção de responder com esquema legendado
CritérioAtingir o nível “adequado” da rubrica (os 3 elementos presentes) em 3 de 4 questões discursivas e entregar sua parte do trabalho em grupo
PrazoFim da unidade Sistema Sol, Terra e Lua (cerca de 6 semanas), com checagem na 3ª
Quem acompanhaProfessor de Ciências aplica a rubrica; coordenação leva os critérios escritos às outras áreas; Júlia faz autoavaliação com a mesma rubrica; família recebe devolutiva no fim da unidade

Repare: nenhum dos dois teve o conteúdo reduzido. Davi trabalha a mesma habilidade que a turma; Júlia, a mesma justificativa científica. O que mudou foi o acesso e a forma de resposta. Adaptar não é simplificar.

Quer ver uma meta como essas virar atividade de verdade? No fim deste artigo você baixa o Do PEI ao plano de aula: modelo comentado.

6. Combine acompanhamento, revisão e devolutivas

Meta sem registro vira intenção. Combine, desde o início:

  • Registro semanal curto. Três linhas bastam: o que funcionou, o que travou, o que vou ajustar. Uma ficha com esses três campos, preenchida às sextas, já sustenta uma boa revisão.
  • Checagem intermediária. Na data marcada na meta, a equipe olha os registros e decide: manter, ajustar a estratégia ou avançar.
  • Revisão formal. A Portaria 421/2026 exige revisão anual do PEI (art. 7º, § 3º), e o Decreto 12.686/2025 fala em atualização contínua. Na prática, revisar a cada bimestre ou trimestre, junto com o conselho de classe, mantém o documento vivo.
  • Devolutivas registradas. O registro das devolutivas às famílias passou a ser conteúdo mínimo do PEI (Portaria 421/2026, art. 11, IV). Anote a data, o que foi compartilhado e o que a família trouxe.

Nos nossos exemplos:

  • Davi: registro às sextas pela regente; revisão com AEE e família no fim do bimestre, com as fotos das atividades como evidência.
  • Júlia: autoavaliação dela a cada questão discursiva; revisão no conselho de classe, com a rubrica dos professores de outras áreas.

PEI depois do decreto: o que muda com o Decreto 12.686/2025

Em outubro de 2025, o Decreto nº 12.686 instituiu a Política Nacional de Educação Especial Inclusiva. Em dezembro, o Decreto nº 12.773 alterou o texto e colocou o PEI, com todas as letras, ao lado do PAEE. Em maio de 2026, a Portaria MEC nº 421 regulamentou o que os dois documentos precisam conter. Para quem faz o PEI na escola, oito pontos importam:

  1. O PEI passa a ter base federal explícita. O decreto torna obrigatório um documento individualizado de natureza pedagógica, com atualização contínua, como o PAEE e o PEI (art. 12).
  2. Ele nasce do estudo de caso, não do laudo. O resultado do estudo de caso fundamenta o PAEE e o PEI (art. 11, § 2º), e o AEE não pode ser condicionado a diagnóstico ou laudo (art. 11, § 7º).
  3. Há um conteúdo mínimo. A Portaria 421/2026 (art. 11) lista quatro itens obrigatórios (veja o checklist abaixo).
  4. Revisão anual obrigatória, sem prejuízo da atualização contínua (Portaria 421/2026, art. 7º, § 3º).
  5. Família e estudante participam do começo ao fim, e as devolutivas precisam ser registradas.
  6. O PEI entra no projeto político-pedagógico da escola (Decreto, art. 12, § 1º). Deixa de ser papel de uma professora e passa a ser compromisso institucional.
  7. Documento único é permitido. A rede pode juntar PAEE e PEI em um só documento, desde que cumpra os requisitos mínimos dos dois (Portaria 421/2026, art. 7º, § 2º).
  8. Dados do estudante são dados sensíveis. Coleta, armazenamento e compartilhamento devem seguir a LGPD, com atenção especial às regras para crianças e adolescentes (Decreto, art. 12, § 5º).

E um ponto para respirar: redes que já usam documentos parecidos têm até três anos, contados da publicação da portaria, para adequá-los (Portaria 421/2026, art. 37). A direção mudou agora; a adequação tem tempo.

PEI e PAEE: qual é a diferença?

PAEEPEI
FunçãoRegistra o estudo de casoPlaneja a acessibilização do currículo
Conteúdo mínimoMateriais e recursos para eliminar barreiras; necessidade de tecnologia assistiva e CAA; necessidade de profissional de apoio, intérprete de Libras ou guia-intérprete; demandas de formação e de acionamento da rede de proteçãoAtividades do AEE e articulação com o(a) professor(a) regente; medidas de acessibilidade curricular, didática e avaliativa; estratégias de acompanhamento; registro das devolutivas às famílias
BasePortaria 421/2026, art. 10Portaria 421/2026, art. 11

Checklist: seu PEI tem o mínimo que a Portaria 421 exige?

  • Descreve as atividades do AEE (em sala de recursos ou outro espaço) e como elas se articulam com o(a) professor(a) regente e os demais profissionais
  • Lista as medidas de acessibilidade curricular, didático-pedagógica e avaliativa indicadas pelo estudo de caso
  • Define como o plano será acompanhado e monitorado
  • Registra as devolutivas feitas à família

Se os quatro itens estão lá e cada meta tem objetivo, estratégia, critério e prazo, você tem um PEI que atende à norma e que funciona na sala.

Para um panorama completo da portaria, leia também Portaria MEC 421/2026: adaptar pela barreira, não pelo laudo.

Onde a IA ajuda (e onde ela não entra)

Usada com critério, a inteligência artificial devolve parte do tempo que falta para fazer o PEI bem feito. Ela pode:

  • transformar suas anotações de observação em rascunhos de metas no formato de quatro campos;
  • sugerir estratégias variadas de acesso e de resposta, a partir do DUA;
  • reescrever enunciados com critérios explícitos, como no caso da Júlia;
  • ajudar a redigir a devolutiva para a família em linguagem clara.

O que a IA não faz: o estudo de caso, a conversa com a família, a escuta do estudante e a decisão sobre as metas. Ela não conhece o Davi. Você conhece.

E há um cuidado inegociável: nunca coloque nome, foto, laudo ou qualquer dado que identifique o estudante em uma ferramenta de IA de uso geral. O próprio decreto lembra que esses são dados sensíveis, protegidos pela LGPD. Descreva o caso de forma anônima, como neste exemplo de comando:

Atue como professora especialista em Desenho Universal para a Aprendizagem. Estudante do 2º ano, 7 anos, se comunica por CAA. Potencialidades: sequências, padrões, interesse por trens. Barreira observada: “quando a atividade pede resposta oral para a turma, não participa, embora aponte a resposta certa na prancha”. Habilidade da BNCC: EF02MA01. Proponha 2 metas no formato objetivo + estratégia + critério + prazo, com critérios observáveis na sala comum. Não reduza a habilidade: mude apenas o formato de acesso e de resposta.

Leia a resposta como leria a sugestão de uma colega: aproveite o que faz sentido, corrija o que não se aplica e decida você.

Nota para leitores de Portugal e dos PALOP

Em Portugal, o documento com nome parecido é o Programa Educativo Individual, previsto no Decreto-Lei n.º 54/2018 (alterado pela Lei n.º 116/2019). A lógica é diferente: lá, o PEI é elaborado pela equipa multidisciplinar de apoio à educação inclusiva e é obrigatório quando o relatório técnico-pedagógico prevê adaptações curriculares significativas. No Brasil, o PEI vale para todo estudante identificado como público da educação especial. O formato de meta deste guia funciona nos dois contextos. Nos demais países lusófonos, vale confirmar a norma nacional.

Do PEI ao plano de aula

O PEI só cumpre o seu papel quando chega à aula de terça-feira. Para ajudar nessa passagem, preparei o Do PEI ao plano de aula: modelo comentado, um exemplo de como uma meta do PEI vira atividade, com comentários sobre cada decisão.

Quero o modelo comentado →

PEI e Plano de aula comentados

Perguntas frequentes sobre o PEI

Quem elabora o PEI? A escola, em equipe: professor(a) da sala regular, professor(a) do AEE e coordenação, com participação garantida da família e do estudante. Profissionais de saúde e assistência social podem contribuir quando necessário, mas a decisão pedagógica é da escola.

O PEI precisa de laudo? Não. O PEI deriva do estudo de caso feito pela escola, e o Decreto nº 12.686/2025 proíbe condicionar o AEE a diagnóstico, laudo ou relatório de saúde. Se houver laudo, ele entra como informação complementar.

De quanto em quanto tempo o PEI deve ser revisado? A Portaria MEC nº 421/2026 exige revisão pelo menos anual, e o decreto prevê atualização contínua. Na prática, revisar a cada bimestre ou trimestre, junto com o conselho de classe, mantém o plano útil.

Qual a diferença entre PEI e PAEE? O PAEE registra o estudo de caso e define recursos, tecnologia assistiva e apoios. O PEI planeja como o currículo será acessibilizado: medidas didáticas e avaliativas, acompanhamento e devolutivas à família. A rede pode reunir os dois em um documento único.

O que o PEI precisa conter, no mínimo? Pela Portaria 421/2026: as atividades do AEE e sua articulação com o professor regente; as medidas de acessibilidade curricular, didático-pedagógica e avaliativa; as estratégias de acompanhamento e monitoramento; e o registro das devolutivas às famílias.

Posso usar IA para montar o PEI? Pode, como apoio: para rascunhar metas, sugerir estratégias e revisar a linguagem. Nunca insira dados que identifiquem o estudante, e a decisão final é sempre da equipe.

Para fechar

Você não precisa de um PEI perfeito na primeira versão. Precisa de metas que dê para observar, de uma equipe que conversa e de uma data marcada para olhar de novo. Escolha um estudante, escreva uma meta com os quatro campos e combine a primeira checagem. O resto se constrói com os registros das próximas semanas.

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Referências

BRASIL. Decreto nº 12.686, de 20 de outubro de 2025. Institui a Política Nacional de Educação Especial Inclusiva e a Rede Nacional de Educação Especial Inclusiva. Diário Oficial da União, Brasília, 21 out. 2025.

BRASIL. Decreto nº 12.773, de 8 de dezembro de 2025. Altera o Decreto nº 12.686, de 20 de outubro de 2025. Diário Oficial da União, Brasília, 9 dez. 2025.

BRASIL. Ministério da Educação. Portaria nº 421, de 15 de maio de 2026. Dispõe sobre a Política Nacional de Educação Especial Inclusiva e sobre a Rede Nacional de Educação Especial Inclusiva. Diário Oficial da União, Brasília, 18 maio 2026.

BRASIL. Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015. Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência.

BRASIL. Lei nº 13.709, de 14 de agosto de 2018. Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais.

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2018.

CAST. Universal Design for Learning Guidelines version 3.0. Lynnfield, MA: CAST, 2024.

INEP. Censo Escolar da Educação Básica 2025: notas estatísticas. Brasília: Inep, 2026.

INSTITUTO RODRIGO MENDES. Panorama da Educação Especial 2025. São Paulo: IRM, 2026.

LOOMES, R.; HULL, L.; MANDY, W. P. L. What is the male-to-female ratio in autism spectrum disorder? A systematic review and meta-analysis. Journal of the American Academy of Child & Adolescent Psychiatry, v. 56, n. 6, p. 466–474, 2017.

PORTUGAL. Decreto-Lei n.º 54/2018, de 6 de julho. Estabelece o regime jurídico da educação inclusiva.

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