Por Aline Coelho Xavier Previdelli
Educadora e pesquisadora independente – Blog IA Inclusiva na Prática

ChatGPT no AEE: prompts prontos, exemplo comentado e o que a lei exige
Atualizado em 9 de setembro de 2026 com o Decreto nº 12.686/2025, o Decreto nº 12.773/2025 e a Portaria MEC nº 421/2026.
O Censo Escolar 2025 registrou 2,5 milhões de matrículas na educação especial. No mesmo levantamento, apenas 11,3% dos gestores escolares declararam ter formação continuada na área.
Traduzindo para a sua realidade: você atende trinta e poucos estudantes na sala de recursos, em horários que se encavalam, com um caderno de registro que você preenche no intervalo. Precisa entregar PAEE e PEI de cada um, revisados anualmente, num formato que mudou em 2026 e que ninguém te ensinou. E ainda precisa produzir material adaptado que os professores da sala comum vão usar de verdade.
O ChatGPT não resolve isso. Mas resolve uma parte específica e bem delimitada: o tempo que você gasta transformando o que você já sabe em texto e em material.
Este guia mostra exatamente onde ele entra. Você vai encontrar a estrutura de um prompt que funciona no AEE, prompts prontos organizados por objetivo do PEI, um exemplo real com a resposta da IA comentada linha a linha (o que ela acertou e o que eu corrigiria), o que a legislação vigente passou a exigir e a regra de proteção de dados que não é opcional.
O que o ChatGPT é, e o que ele não é no AEE
O ChatGPT é um modelo de linguagem: ele produz texto plausível a partir do que você escreve. Isso o torna muito bom em reorganizar, reescrever, estruturar e gerar variações. E muito ruim em qualquer coisa que dependa de ter visto o estudante.
Vale marcar com clareza o que ele não é:
- Não é fonte de diagnóstico. Ele não avalia, não identifica, não conclui nada sobre um estudante. Qualquer saída nesse sentido é texto plausível, não avaliação.
- Não é substituto do estudo de caso. O estudo de caso é procedimento pedagógico previsto em norma, feito por quem observa. A IA não observou nada.
- Não é repositório. Não é lugar para guardar dados de estudante. Isso não é conselho de prudência, é a lei, voltaremos a isso.
- Não é autor do seu documento. O conteúdo é seu. A formatação pode ser dele. Nunca o contrário.
- Não é neutro. Modelos reproduzem linguagem capacitista e visão deficitária com facilidade, porque foram treinados em textos que fazem isso. Se você não pedir explicitamente o contrário, ele vai escrever “o aluno apresenta dificuldade em…” o dia inteiro.
O que sobra depois desses cinco cortes ainda é muita coisa. E é a parte que consome as suas noites.
O que mudou na lei, e por que isso muda o seu prompt
Entre 2025 e 2026 o cenário normativo do AEE foi reescrito. Se a sua formação em educação especial é anterior a isso, ela descreve uma política revogada.
- O Decreto nº 12.686/2025 instituiu a Política Nacional de Educação Especial Inclusiva e a Rede Nacional de Educação Especial Inclusiva, revogando o Decreto nº 7.611/2011. Foi alterado pelo Decreto nº 12.773/2025.
- O art. 12 tornou obrigatória a elaboração de documento individualizado de natureza pedagógica, com atualização contínua: PAEE e PEI, derivados do estudo de caso. A institucionalização desses documentos compõe o Projeto Político-Pedagógico da escola.
- O art. 11, § 7º é categórico: a garantia da oferta do AEE não pode ser condicionada à exigência de diagnóstico, laudo, relatório ou qualquer documento emitido por profissional de saúde.
- A Portaria MEC nº 421/2026 regulamentou a política, definiu o conteúdo mínimo dos documentos e estruturou a Reneei, com centros de formação continuada, observatório, núcleos de acessibilidade e rede de autodefensoria contra o capacitismo.
- Os prazos de adequação são longos: até três anos para implementação do PAEE e do PEI, quatro anos para a formação continuada e até seis anos para os profissionais de apoio já em exercício.
O que isso tem a ver com o prompt que você escreve
Duas consequências bem concretas.
A primeira: o laudo saiu do centro. Se o AEE não pode ser condicionado a documento de saúde, o insumo do seu trabalho passa a ser o estudo de caso, observação, escuta da família, análise do contexto escolar. Isso significa que o prompt que começa com “tenho um aluno com CID F84.0” está partindo da informação errada, além de ilegal. O prompt correto começa com o que trava e o que engaja.
A segunda: o formato do documento mudou. O PAEE registra o estudo de caso e define materiais, recursos, tecnologia assistiva, comunicação aumentativa e alternativa, necessidade de profissional de apoio e demandas de formação. O PEI contempla o plano de acessibilização curricular. Ambos são revisados anualmente. Se você vai pedir ajuda à IA para estruturar esses documentos, precisa informar a estrutura, o modelo não a conhece.
Para guardar: se o material de formação que você recebeu cita o Decreto nº 7.611/2011 como norma vigente, ele está desatualizado. O decreto foi revogado em outubro de 2025.
A regra que não se negocia: dados do estudante
Este ponto é jurídico, não apenas ético, e é onde vejo mais gente errando de boa-fé.
O Decreto nº 12.686/2025, art. 12, § 5º determina que a coleta, o tratamento, o armazenamento e o compartilhamento de dados pessoais e sensíveis de estudantes da educação especial observem a LGPD (Lei nº 13.709/2018), com atenção ao art. 14, que trata de dados de crianças e adolescentes.
Ferramentas de IA generativa são serviços de terceiros. Colar nome, laudo, CID, endereço, histórico clínico ou relatório médico de um estudante em um chat é compartilhar dado pessoal sensível de criança com um terceiro, sem base legal. Não importa se a conta é sua, se a aba está anônima ou se você apagou a conversa depois.
A regra prática cabe em uma frase: descreva a barreira, não a pessoa.
Aplicando ao que você escreveria de verdade:
| Não faça | Faça |
|---|---|
| “Preciso do PEI da Marina Alves, 3º ano, laudo de deficiência intelectual assinado pela Dra. Renata em 12/03.” | “Preciso estruturar um documento para uma estudante de 3º ano que copia da lousa sem compreender o texto e responde bem a apoio concreto.” |
| “Segue o relatório da neuropediatra em anexo, monte o plano.” | “A partir destas observações minhas de quatro semanas, organize no formato de plano de acessibilização curricular: [suas anotações].” |
| “O aluno é o filho da coordenadora, mora no Jardim X, tem histórico de…” | “Estudante do 5º ano que não inicia atividades com mais de um comando e trava em transições sem aviso.” |
A coluna da direita gera a mesma qualidade de resposta pedagógica. E não expõe ninguém.
Um teste rápido antes de apertar enter: se essa mensagem vazasse em um grupo de WhatsApp da escola, alguém seria identificado? Se sim, reescreva.
Como escrever um prompt que funciona no AEE
A maior parte dos “prompts prontos” que circulam falha por um motivo simples: são curtos demais. “Crie uma atividade adaptada para aluno com TEA” produz material genérico porque a instrução é genérica.
Um prompt útil no AEE tem cinco blocos. Sempre os mesmos:
- Papel e referencial: quem a IA deve ser e com base em quê. Sem isso, ela responde do senso comum.
- Contexto pedagógico: componente, etapa, objetivo de aprendizagem, tempo disponível.
- Barreiras identificadas: o que trava, descrito por comportamento observável, nunca por diagnóstico.
- O que você precisa: o produto, em itens numerados.
- Restrições: o que ela não pode fazer. Este é o bloco que quase ninguém escreve, e é o que mais melhora a saída.
O bloco de restrições merece atenção. Três linhas que eu coloco em todo prompt:
- Mantenha o objetivo de aprendizagem intacto. Não simplifique o conteúdo.
- Não use linguagem capacitista nem descreva o estudante por déficits.
- Não invente dados sobre o estudante. Se faltar informação, pergunte.
A terceira evita o comportamento mais perigoso do modelo: preencher lacunas com invenção convincente.
Prompts prontos por objetivo do PEI
Todos abaixo já vêm com os cinco blocos. Troque o que está entre colchetes.
1. Reescrever enunciados sem baixar o objetivo
Atue como professora especialista em educação especial inclusiva,
com base no Desenho Universal para a Aprendizagem (diretrizes CAST 3.0).
CONTEXTO
Componente: [ex.: Ciências] · Etapa: [ex.: 4º ano]
Objetivo de aprendizagem: [escreva o objetivo separado do meio]
Enunciado original: [cole o enunciado]
BARREIRA IDENTIFICADA
Estudantes travam no enunciado, não no conteúdo: há três comandos
em um único parágrafo.
O QUE EU PRECISO
1. Versão segmentada em etapas numeradas, uma ação por etapa
2. Versão com apoio de vocabulário (palavras difíceis explicadas ao lado)
3. Versão em linguagem direta, frases de no máximo 12 palavras
RESTRIÇÕES
- Mantenha o objetivo de aprendizagem intacto. Não reduza a exigência cognitiva.
- Não use linguagem capacitista.
- Não invente informação sobre os estudantes.2. Gerar duas rotas de representação do mesmo conteúdo
[mesmo bloco de papel e contexto]
O QUE EU PRECISO
Duas formas diferentes de este conteúdo chegar ao estudante:
1. Uma rota com apoio concreto ou manipulável (descreva o material
e como eu produzo com o que tenho na escola)
2. Uma rota com apoio visual (descreva o esquema para eu desenhar,
não gere imagem)
Para cada rota, indique em uma linha que barreira ela remove.
RESTRIÇÕES
- Não proponha atividades separadas por estudante. É uma aula só.
- Não sugira recursos pagos ou que dependam de internet na sala.3. Construir critérios equivalentes de avaliação
[papel e contexto]
O QUE EU PRECISO
O estudante pode demonstrar a aprendizagem por: (a) explicação oral,
(b) esquema desenhado, (c) parágrafo escrito.
Escreva critérios de avaliação equivalentes para as três rotas,
de modo que nenhuma seja mais fácil que as outras.
RESTRIÇÕES
- Os três caminhos avaliam o MESMO objetivo. Não crie objetivos diferentes.
- Não trate a rota oral como versão simplificada da escrita.4. Transformar registro de observação em linguagem de documento
Atue como especialista em documentação pedagógica da educação especial,
com base no Decreto nº 12.686/2025 e na Portaria MEC nº 421/2026.
MINHAS OBSERVAÇÕES (quatro semanas, sem identificação do estudante)O QUE EU PRECISO Organize essas observações na estrutura do plano de acessibilização curricular, com os campos: barreiras identificadas, potencialidades e interesses, recursos de acessibilidade, estratégias em sala comum, critérios de acompanhamento. RESTRIÇÕES – Use SOMENTE o que está nas minhas observações. Não acrescente nada. – Se algum campo ficar sem informação suficiente, escreva “informação não observada” e me diga o que eu preciso observar. – Descreva barreiras do ambiente e da atividade, não características do estudante.
Esse quarto prompt é o que mais economiza tempo e o que menos gente usa. E a restrição do meio, “se faltar informação, diga o que preciso observar”, transforma a ferramenta em roteiro de observação para a semana seguinte.
Exemplo comentado: o que a IA acerta e o que você precisa corrigir
Prompts prontos sem exemplo real ensinam pouco. Segue um caso, com a saída comentada.
O que eu escrevi:
Estudante do 5º ano. Não inicia atividades com mais de um comando. Copia da lousa, mas não retoma o que copiou. Responde bem quando o material vem uma folha por vez. Interesse intenso por futebol. Objetivo: comparar frações com denominadores diferentes.
O que a IA devolveu (resumo):
Ela propôs três coisas: dividir o comando em quatro etapas numeradas; usar cartelas de frações com times de futebol; e sugerir que “o aluno pode fazer uma versão reduzida da atividade, com menos questões, respeitando suas limitações”.
O que acertou:
- A segmentação do comando em etapas. Direto ao ponto e imediatamente aplicável.
- O uso do interesse por futebol como âncora, e não como decoração. Comparar frações de aproveitamento de dois times é o mesmo objetivo, com contexto.
- Sugerir uma folha por vez, respeitando o que eu informei que já funciona.
O que eu corrigiria:
- “Versão reduzida, com menos questões” é o erro clássico. Reduzir quantidade sem critério não é adaptação, é remoção de oportunidade de aprendizagem. Se o estudante resolve 5 em vez de 15, ele continua sem o critério de comparação, só ficou entretido por menos tempo.
- “Respeitando suas limitações” é linguagem deficitária, e apareceu mesmo com a restrição no prompt. Isso acontece. A revisão humana não é formalidade.
- Faltou o critério de verificação. A IA não perguntou como eu saberei que funcionou. Eu tive que pedir num segundo turno: “acrescente um indicador observável”.
O que eu escrevi de volta:
Refaça o item 3. Em vez de reduzir a quantidade de questões, mantenha o mesmo objetivo e ofereça um segundo caminho de resposta. Retire a expressão “limitações”. Acrescente um indicador observável para eu registrar no acompanhamento.
Essa segunda rodada é onde está o ganho. Quem usa IA no AEE e aceita a primeira resposta está usando 30% da ferramenta.
Onde o ChatGPT ajuda no PAEE e no PEI
| Etapa | O que a IA faz bem | O que continua sendo seu |
|---|---|---|
| Estudo de caso | Organizar suas anotações em estrutura; sugerir o que ainda falta observar | Observar, escutar a família, analisar o contexto escolar |
| Definição de barreiras | Reescrever formulações deficitárias em formulações por barreira | Identificar a barreira real, que só se vê na sala |
| Objetivos e metas | Transformar objetivo vago em meta com critério e prazo | Decidir a prioridade pedagógica daquele estudante |
| Estratégias e recursos | Gerar variações, rotas alternativas, listas de materiais viáveis | Escolher o que cabe na sua escola e na sua turma |
| Redação do documento | Padronizar linguagem, ajustar ao formato exigido | Assinar, responder e revisar anualmente |
| Devolutiva à família | Traduzir termos técnicos para linguagem acessível | Conduzir a conversa e sustentar a relação |
Repare que a coluna do meio é toda operacional, e a da direita é toda pedagógica. Essa divisão não é acaso, é o critério.
E as outras IAs? Gemini, Claude, Copilot
Pergunta que aparece sempre: preciso usar o ChatGPT especificamente?
Não. Todos os prompts deste artigo funcionam em qualquer ferramenta de IA conversacional, porque o que faz o prompt funcionar é a estrutura em cinco blocos, não a marca. Há diferenças práticas, limite de uso gratuito, qualidade em português, se a ferramenta lê arquivo, e elas mudam de mês para mês, o que torna qualquer comparação rapidamente desatualizada.
O que não muda entre elas é a regra de proteção de dados. Todas são serviços de terceiros, e a exigência do art. 12, § 5º do Decreto nº 12.686/2025 vale igual para todas. Trocar de ferramenta não resolve o que só o seu critério resolve.
O que um prompt não resolve
Vale ser honesta sobre os limites, porque eles aparecem exatamente quando você começa a usar isso com frequência.
A conversa não tem memória do seu trabalho. Como você não pode inserir dados identificáveis do estudante, cada nova conversa começa do zero: você redescreve as barreiras, o que engaja, o que trava, o que já testou. Na terceira ou quarta vez isso deixa de ser prático. O histórico do seu acompanhamento continua onde sempre esteve, no seu caderno.
O documento continua sendo montado à mão. A IA devolve texto bem estruturado, mas quem transporta esse texto para o formato do PAEE e do PEI, versiona, registra a data da revisão anual e guarda a evidência é você, num arquivo qualquer, do seu jeito. Se a mantenedora ou a secretaria pedir o conjunto dos documentos da escola, ninguém consegue reunir isso rapidamente.
A qualidade varia conforme quem escreve. Numa escola com quinze professores usando IA, você terá quinze níveis de detalhe, quinze formas de nomear barreira e quinze padrões de revisão. Para o estudante que muda de professor no ano seguinte, isso significa recomeço.
E o registro do que funcionou se perde. Nenhum chat responde a “o que já tentamos com este estudante e não deu certo”, que é justamente a pergunta mais valiosa do acompanhamento pedagógico.
Nada disso invalida o uso da IA no AEE. Só delimita: o prompt resolve a produção de material. A continuidade, a documentação e a memória do processo são outro problema, e continuam sendo trabalho institucional.
Cinco erros comuns ao usar IA no AEE
- Colar o laudo no chat. Já tratado acima, mas é o erro mais frequente. Descreva a barreira, não a pessoa.
- Aceitar a primeira resposta. A segunda rodada é onde o material fica bom.
- Pedir “atividade para aluno com TEA”. TEA não é perfil de aprendizagem. Dois estudantes com o mesmo diagnóstico precisam de coisas diferentes. O prompt precisa da barreira específica.
- Deixar a IA definir o objetivo de aprendizagem. Isso é decisão curricular, ancorada na BNCC e no seu planejamento. Terceirizar é abrir mão da autoria docente.
- Entregar ao estudante sem revisar. Modelos erram conteúdo, inventam dados e escrevem capacitismo. A revisão é parte do trabalho, não desconfiança.
Perguntas frequentes
Posso usar o ChatGPT para escrever o PEI de um estudante?
Você pode usar para organizar e estruturar o texto a partir das suas observações. O que não se pode fazer é inserir dados pessoais identificáveis, nome, laudo, CID, histórico clínico, em ferramentas de terceiros. O Decreto nº 12.686/2025, art. 12, § 5º, remete expressamente à LGPD, com atenção ao art. 14, que trata de dados de crianças e adolescentes.
É seguro colocar informações do meu aluno no ChatGPT?
Não, se forem informações que permitam identificá-lo. Descreva o comportamento observável e a barreira, sem nome, diagnóstico, endereço ou qualquer documento de saúde. A resposta pedagógica é a mesma, e ninguém fica exposto.
O estudante precisa de laudo para ter AEE?
Não. O Decreto nº 12.686/2025, art. 11, § 7º, estabelece que a garantia da oferta do AEE não será condicionada à exigência de diagnóstico, laudo, relatório ou qualquer outro documento emitido por profissional de saúde. A identificação se dá pelo estudo de caso, de natureza pedagógica.
Qual a diferença entre PAEE e PEI?
Ambos derivam do estudo de caso e são obrigatórios, com revisão anual. De forma simplificada: o PAEE registra o estudo de caso e define recursos, tecnologia assistiva, comunicação aumentativa e alternativa e necessidade de profissional de apoio, com foco no trabalho da Sala de Recursos Multifuncionais. O PEI contempla o plano de acessibilização curricular, com foco nas estratégias da sala de aula comum.
A IA pode substituir o professor do AEE?
Não. A IA não observa, não escuta a família, não conduz o estudo de caso e não responde legalmente pelo documento. Ela reduz o tempo entre o que você já sabe e o material pronto. Toda a decisão pedagógica permanece com o profissional.
Preciso pagar para usar IA no AEE?
Não para os usos deste artigo. As versões gratuitas das principais ferramentas dão conta de reescrever enunciados, gerar rotas alternativas e estruturar documentos. Limites de uso mudam com frequência, então vale conferir na própria ferramenta.
Para levar para o próximo atendimento
Não reformule sua rotina inteira esta semana. Escolha um estudante e faça três coisas:
- Pegue suas anotações de observação e rode o prompt nº 4, sem nenhum dado identificável.
- Leia a saída procurando duas coisas: linguagem deficitária e informação que você não escreveu.
- Peça a segunda rodada corrigindo o que encontrou.
Em vinte minutos você terá um rascunho de documento com a sua observação dentro, e terá aprendido o que essa ferramenta faz bem e onde ela falha com você, que é o conhecimento que nenhum tutorial entrega.
A inteligência artificial não vai tornar o AEE mais humano. Isso já é você. Ela devolve o tempo que a burocracia toma, para que sobre mais dele para a parte que só acontece entre duas pessoas na mesma sala.
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Referências
- BRASIL. Decreto nº 12.686, de 20 de outubro de 2025. Institui a Política Nacional de Educação Especial Inclusiva e a Rede Nacional de Educação Especial Inclusiva. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 21 out. 2025. (Alterado pelo Decreto nº 12.773, de 8 de dezembro de 2025.)
- BRASIL. Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015. Institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência.
- BRASIL. Lei nº 13.709, de 14 de agosto de 2018. Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD).
- BRASIL. Ministério da Educação. Portaria MEC nº 421, de 15 de maio de 2026. Dispõe sobre a Política Nacional de Educação Especial Inclusiva e sobre a Rede Nacional de Educação Especial Inclusiva.
- CAST. Universal Design for Learning Guidelines version 3.0. Lynnfield, MA: CAST, 2024.
- INEP. Censo Escolar da Educação Básica 2025: notas estatísticas. Brasília: Inep/MEC, 2026.
- UNESCO. Guidance for generative AI in education and research. Paris: UNESCO, 2023.
- ZERBATO, A. P.; MENDES, E. G. Desenho universal para a aprendizagem como estratégia de inclusão escolar. Educação Unisinos, v. 22, n. 2, p. 147-155, 2018.



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